Uma incógnita na casa de Marica

Até quando?
Tu abusarás e lambuzarás
Do meu amor
E da minha paciência
Com palavras rudes
Que não sabes professar
O mínimo de letras, de amor
E de ciência

Na minha casa hoje
Tu gritas e mandas
Sem o mínimo de pudor
E de decência
Me chamas de Mariquinha
E até de Marica
Mas, nem eu e nem tu
Sabes a dor e a força que uma Marica tem
Para dar à Luz

Por que são sempre as Maricas
que tu ofendes?
Não sabes tu que foram essas Maricas
Que já sustentaram as mordomias
Da aristocracia de Vila Rica
E agora sustentam também
A vida rica que estás vivendo
Que tu usas, abusas e lambuzas
E sugas todo o leite nos seios de Marica

Eu sou Marica e tu és uma incógnita
Uma equação mal resolvida
No mundo sem razão
Um ponto fora da curva
Uma vírgula idiota fora da frase
Uma falsa exclamação sem ação
Um texto mal feito sem expressão
Num contexto cheio de ódio
E sem coração

Com o teu coração de pedra
tomado por bílis
Na tua tirania e misoginia
Cobras com injúria e juros à Marica
A tua impotência
Nas noites de cama
Porque já perdeste a cabeça do norte
E agora falas em pólvora
Porque já não tens mais saliva para salivar tua raiva e tua derrota
E nem honra tens das calças de verde oliva que vestiste um dia
Tua ira no raiar do esplendor do dia
Mostra tua boca rangido os dentes com sede de sangue
E a diplomacia,
É um detalhe de virtù que nunca tiveste

Tua boca de canhão
Também é fogo que queima
Que arde e mata as matas
Tua boca também é revólver
Que mata e assassina
com erros crassos o português
Com essa deficiência na língua
Numa estupenda gagueira
Aindas ameaças com guerra
Os descendentes dos anglo-saxônicos farsando-se de inglês
Como se fosse um recruta burguês?

Até quando?
Com tuas botas velhas e sujas de lama de escárnio pisarás no meu jardim de sonhos
Nas flores vermelhas e brancas que já foram plantadas um dia com suor e lágrimas de sangue
Com gargalhadas e ironias, debochas e dúvidas da força das águas e da essência das rosas

Ah! não sabes tu!
Que há de chegar o inverno e a primavera
E quando esse dia chegar…
A lei da vida e dos homens te cobrará com “juros”
A força das águas limpará todo escárnio
E toda pedra da mentira rolará no campo e na cidade
Que tu miraste e atiraste
E brotará no seio da terra
A Rosa mística da justiça
Entre o jardim de cactos
As flores que foram esperadas no outono
E todos ansiosamente verão
Na cidade nascer as margaridas
Mais lindas entre as brechas do asfalto
das avenidas

Neste dia chegado
O teu mal não resistirá
Na hora do amanhecer
Tu já não estarás e não gritarás mais na casa de Marica
Porque novamente o jardim estará todo em flor
Cheio de amor
De rosas e margaridas no quintal de Marica
Tu serás apenas uma nuvem passageira sem aspecto e sem sentido ao entardecer do dia
Serás lembrado como um mal inquilino na casa de Marica
Uma incógnita que não deveria ter surgido na vida dura de Marica

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