Ligando as duas pontas do cordão

Ligando as duas pontas do cordão. Preâmbulo:

Texto analítico refletindo a partir de uma solicitação da minha amiga psicóloga Fátima Schuler, sobre meu ponto de vista do artigo: O Jair Que Há em Nós, de autoria de Ivann Lago (Professor e Doutor em Sociologia Política).

Texto Analítico

Uma breve análise da política à brasileira

É um excelente texto dentro da ótica do autor, que mostra uma análise sociológica e política do caráter psicológico comportamental e cultural do brasileiro em suas relações sociais.

Na minha visão de leitor, o artigo traz pontos consideráveis para refletir e discutir. Neste sentido, é verdade quando Ivann Lago, pontua a complexidade que fora a Eleição de 2018, e que levaremos anos de estudo na órbita das ciências humanas para desvendar e compreender na real o acontecido fato naquela conjuntura política.

Apesar disso, é óbvio que Jair Bolsonaro, não chegou ao Poder por acaso. Houve sim todo um trabalho sujo e cheio de Fake News de demonização da política vigente que contribuisse para o triunfo da extrema-direita no Brasil como também no cenário internacional com Trump na Presidência dos EUA e outros presidentes dessa mesma linhagem na Hungria, Polônia, Itália e Belorussia.

Foram movimentos que desde 2013, que se espraiou silenciosamente e virtualmente criados e coordenados por um estrategista e reacionário chamado Steve Bannon.

No Brasil, esse movimento encontrou um terreno fértil com o apoio do ideólogo de direita, Olavo de Carvalho, morando no estado norte-americano da Virgínia, para também transmitir e minar por aqui, ideias torpes e reacionárias no campo sóciopolitico e nos setores econômicos plantando as ideias ilusórias do falso mercado neoliberal.

Nesta linha, podemos citar aqui, alguns pontos de antemão que foram fatais no decorrer do tempo e naquela conjuntura que fortaleceram a musculatura desse movimento extremista de direita, como: os erros gravíssimos do petismo, uma esquerda fraca e dividida, a corrupção sistêmica nas estruturas do Estado, o lava-jatismo desenfreado, leis flacidas, a insatisfação da classe média, descrença nos partidos e frustração com os políticos, decadência cultural, crise moral e crise econômica.

Ou seja, todos esses pontos foram decisivos para o crescimento da extrema-direita brasileira se apropriar de uma retórica beligerante e uma comunicação fácil baseada no senso comum das massas fortalecendo o discurso “moralista” e do antipestimo e o da negação de tudo que é referente a razão, ciência e a política do Estado democrático de direito.

Extrema-direita essa, que soube aproveitar bem a situação dos nervos à flor da pele, e explorar e capitalizar o ódio do povo aflorando o seu discurso boçal e nazifascista no seio da sociedade fazendo ressuscitar as marcas ainda indeléveis do tempo do Império como, preconceitos, autoritarismo, machismo, racismo, patriarcalismo, violência e homofobia.

Essas marcas, algumas descritas no texto de Lago, como comportamento cultural de modo embutidas nas entranhas da nação brasileira, mas escondidas com uma textura de cordialidade cínica. Estavam camufladas este tempo todo desde o fim da Ditadura Militar, com um verniz de “democracia” nos meios sociais esperando a hora certa para desabrochar.

Agora estes fantasmas já saíram de suas cavernas, e enaltecem a ignorância como autoridade suprema em todo o lugar para – extravasar – o quanto puder, segundo Lago, porque o seu “mito” foi elevado ao Poder e fala a mesma língua legitimando o mal proceder da mediocridade e o culto demoníaco da incivilidade dos seus como manutenção do autoritarismo e do seu conservadorismo hipócrita.

Por outro lado, o que me chama atenção neste artigo de Lago, é como ele conceitua no texto o “brasileiro médio”, fazendo parecer no primeiro momento do parágrafo como se fosse o mesmo “cidadão comum” sem distinção. Ainda que, no decorrer dos demais parágrafos o sociólogo tenta distingui-los implícitamente, não fica tão clara a distinção.

Entendo que, este “brasileiro médio” é totalmente diferente do “cidadão comum”. Pois, na realidade, esse brasileiro médio pode ser o homem de negócios, o comerciante e até o patrão dono da fábrica. É o homem endinheirado, mas com baixa cultura nas letras. Mas que tem muita influência nos meandros da política local e influencia seu empregado até o cidadão comum (homem comum) na praça da cidade com seu excesso-charme pousando de nobre pintando parecer amigo do rei.

O brasileiro médio está na classe média de hoje, que reina na ignorância de sua pátria. É um indivíduo de uma psicologia estranha e tosca para os tempos avançados, tem raiva de pobre, índio, negro e de homossexuais; humilha empregado e empregada; discorda dos avanços sociais; não obedece regras (leis) e é indisciplinado.

Ariano Suassuna, em suas palestras, já denúnciava e alertava o risco do “gosto médio” que vinha tomando conta da elite brasileira para uma decadência cultural. E hoje esse “gosto médio” tornou-se o “brasileiro médio” que descreve Lago em seu artigo.

A elite brasileira e a classe média, vislumbram com Nova York, Miami, Disneylândia, Roma e Paris, e ainda mostra sua força financeira com carros de luxo e aparelhos digitais de alta tecnologia. Mas conhecem muito pouco ou talvez nada da realidade em matéria de Brasil. Desconhecem sua própria literatura, sua própria história, sua geografia e as biografias de grandes homens e mulheres deste país. Sabem falar inglês e também francês, mas compreendem pouco em português.

Infelizmente, são essas as pessoas (o brasileiro médio) que estão conduzindo o país e nossas vidas com poder de sanções e de vetos na Presidência da República. Entretanto, governam com ódio e preconceito em nome de seus interesses pessoais, familiares, templários, privados e milicianos.

Neste aspecto, penso que estamos vivendo um retrocesso conjuntural e estrutural com um processo de cidadania na sua essência cada dia mais lento, no que tange o Estado no seu prodígio de amparo político, democrático, econômico e social.

Parece que a ingenuidade do bem tornou-se o garoto de aluguel do mal e o povo brasileiro durante o período de ouro da democracia, não conseguiu trabalhar-se se reeducar nesses anos por dentro, elevando seu ethos de consciência de Nação Republicana para desapegar-se de suas vicissitudes tão arcaicas quanto mesquinhas.

Para Lago, não adianta apenas materializar em legislação e em políticas públicas os avanços civilizatórios, quando se trata de valores arraigados, é preciso muito mais para mudar padrões culturais de comportamento.

De certa forma, tendo a concordar com Lago, quando ele aponta em seu artigo os interesses pessoais e a desonestidade comportamental brasileira no âmbito político. Pois, é nessa jogada dos interesses pessoais e desonestos da sóciopolitica, que a velha política com a “nova” se encaixam e o cidadão comum interliga-se com seu brasileiro médio para aflorar o Jair de cada um fazendo da política seu próprio reflexo porque não conseguiu romper com as práticas víciosas de costumes antigos e por força do hábito cultural embutido.

E nesse caso, é possível destacar que, dentro desse âmbito do jogo político, os interesses partidarista medíocre fala mais alto do que a – virtù – dos bons ideais e dos critérios republicanos à serem seguidos neste país.

Como em tempos de outrora, políticos também da esquerda com os políticos da direita, se fundiram, ou seja, uniram-se conforme os seus interesses polítiquiros e dos partidos das velhas raposas desejosas e sedentas pelo poder. Apadrinhando-se nas estruturas do Estado iguais a cupins famintos para corroer a madeira de lei da República transformando-se em víboras da mesma espécie. (o brasileiro médio)

Na realidade, são homens doentes, frenéticos que tornaram-se viciados e obsecados pelo exercício praticante do sexo obsoleto da politicagem vil.

E ainda quando estão velhos, se arriscam no uso de “viagra”, fazendo com que dos covis imundos e sujos do submundo ressuscitem cobras para subirem ao Poder, continuadamente, no intuito de engravidar o sistema cada vez mais com deficiências corruptíveis e alejões.

São espadas que tentam tanto cortar pela direita quanto pela esquerda, em busca da manutenção de seus próprios benefícios privados, pessoais e familiares para se sustentar o quanto puder no poder se aliando a qualquer um, inclusive, prostituindo-se até com o “diabo”.

No entanto, já estão cegos e o espírito impotente de imoralidades por tantas corrupções feitas perante a luz do dia, da justiça e da verdade; e o punhal da ética, já não os têm mais como arma em vossas mãos.

Não há mais como negar! Nossos políticos, são meramente reflexos interligados na nossa sociedade e produto final de um cultura de vicissitudes e – vici-ócios – na ” droga sexual do Poder”.

Entretanto, Lago, só aprofunda com detalhe ligando as duas pontas do cordão do que descrevia Machado de Assis: ” Existem dois Brasis, um real e outro oficial”.

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