O Poeta Rebelde

Não quero ser santo

Nem ruim e nem bonzinho

Porque não pretendo ser santificado

Nem tão pouco quero ser canonizado

Não quero ser pedra de ouro

Nem de prata e nem de diamantes no teu tesouro

Muito menos uma pedra no teu sapato

Nos caminhos de sucesso de ninguém

Não quero ser chicote de couro

Nem amado, nem odiado

Mas sempre lembrando como um gosto de café amargo na boca de uma dama

Nem corda de aço nas costas dos outros

Nem feio, nem bonito e nem galã

Mas quente fervendo como fogo (…)

Nem mão fechada e nem mesquinho

Nem conhecido e nem esquisito

Nem agradável, nem desagradável

Ao exagero dos aplausos da plateia

Não quero parecer simpático

Nem empático, nem apático

Mas enfático de verdade

Na sociedade dos imbecis

E nem tão pouco ser trajes de veludo

De um príncipe idiota na corte dos bobos

Eu sou o que sou,

Porque eu sei quem eu sou

Um homem simples

Chato, mas irresistível

Como um profundo lago

Mais estreito do que largo

Cheio de defeitos

rasantes e errantes

Em busca da palavra certa e da medida exata

Para não perder a razão

Da consciência concertante

Num cavalo preto agalopente

Um lindo Corcel de batalhas

Travadas na ira das guerras

Das palavras afiadas

No mundo medíocre

Das ideias pegando fogo

E das ciências bombardiadas

Prefiro ser o termo verbal

Da religião a fé

Da justiça a Lei

Da poesia a rima

Do corpo a alma

Do casal o amor

Do perfume a essência

Do guerreiro a coragem

A voz sensata num deserto

O equilíbrio soberano

A espinha ereta nas tempestades

Num país subserviente

A rebeldia da revolução

O espinho da rosa ingênua

A ética e o punhal serrado

A sabedoria dos sábios

O senso crítico dos críticos

O peso pesado da balança

Ainda que isso me custe caro!

No meio das feras um caso raro

Não tenho medo dos loucos

Nem das gargalhadas

dos ignorantes

Sou mal compreendido

Por não falar o idioma

Da hipocrisia dos covardes

Nas rodas dos falsos amigos

Na alcatéia dos lobos inimigos

Que me tratam com falsidade

Rangendo os dentes pelas costas

Pela minha firmeza e elegância

Por minha língua afiada e ferina

Que corta como foice à fio de navalha

O raio da cerebrina à revelia

Na verdade,

Não polparia nem o coração tão doce da menina bonita que não lia

Pois, na hora do vamos vê,

Só fica Deus e você

Entre os escritores e os historiadores

Eu sou um simples poeta rebelde

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