Lírios, Sertões e Carnaval

Fonte: Foto, A Natureza é bela
Simplesmente,
Lírios dos vales para você!
Nesta noite tão agradável
E serena de se vê
Aonde os lírios
E os delírios de carnaval
Exalam essência
Como flores brancas
De paz e com excelência
A empatia, ciência e paciência
Do seu perfume suave para o mundo
A consciência.
Como é lindo de se vê!
As três Marias lá de cima
Ao anoitecer
Tricotando amor e prazer
Fio a fio
Ponto a ponto
Conversando de paixões
À luz de vela do luar
E constelações à brilhar.

Iguais as rendeiras
Rendando rendas rendeiras
À luz de candeeiros acesos
Nas casas de taipas dos sertões
Iluminando os nossos corações
Que aceleram como batidas de zabumba
Bumba!
No aboiar do vaqueiro
Com seu cavalo ligeiro
Chapéu e gibão de couro
Atrás de um teimoso boi
Dançando bumba meu boi!

Zabumba bumba forte de amor
De paixões e sensações
Inundando nossas almas
Com centenárias canções.

De repente, escuto a viola de repente
Em Tacaratu deitado na rede
Vejo arte esplêndida das cores do maracatu
Em Caruaru até Mossoró
Abre o fole da sanfona
Xote, xaxado e baião
Como um sanfonado leque
De uma dama com calor e suor
Depois de um arrasta-pé danado de forró
Sentada em uma mesa de sala
Em sua mão um fino importado cigarro
Tomando chiquemente seu drink pileque.

No balançar da rede
Já estou pescando peixe
Não percebo, adormeço!
Ao som de um bacural
Sonho com as bandas das marchinhas de carnaval.

No Recife,
A crioula dança nas pontas dos dedinhos dos pés
Pendurada num cabo de um pequenino guarda-chuva
De quatro folhas coloridas como a verde flor de um trevo
Dá sorte, caboclinho em passos de frevo.

Em Olinda,
Canta Alceu Pernambucano Valença
Oh menina linda Olinda!
Me assombras de noite
O homem da meia noite
Com mãos pesadas de açoite.

Logo,
Acordo pasmo e assustado
Na casa de "Zé do Estado"
Minha cara feia
Ainda bem que não é dia de vender mangaio na feira.

Oh meu Santo Dionísio!
Vejo no espelho uma picada de percevejo
Ficando inchado meu narigão
Minha cara desarrumada
Uma fantasia dos diabos amarrotada
De um certo dom chamado Fernando II de Aragão.

Estás achando pouco!
Uma noite mal dormida
Maria Bonita?
Ficar de sentinela e de Lampião
Um olho aberto e outro cego
Com tiros no mocotó
E roncos de porco
Ainda de madrugada!
Já me levanto zangado e louco
Com o canto de um "bendito" galo.

Para não dizer tão esquesito
Ao pé do meu ouvido
Mas será o Benedito!
E não é o Galo da Madrugada!
Da casa de seu "Mané Vito"
Anunciando o seu acorde triste musical
Na manhã desbotada pelo vírus mortal
Não dando neste ano o aval de carnaval.
Fonte: Foto, O Galo da Madrugada (2015) pinterest.com

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