A tragédia do Ter entre o Ser

O teu reconvexo ao ter 
Te cegas e não consegues ver
Compreender e nem entender
As complexidades do ser
Entre dois rios o ser e o ter
Tu preferes o ter do que o ser
Porque não sabes mais
O quê é dentro de você
E perceber a nascente do ser
As aparências do ter te enganam
Quando o ter não revela primeiro o ser
Pois nem tudo que parece ser
Parece ter
E nem tudo que parece ter
Parece ser
No final, é tudo uma jogada
De ilusão, fantasia sonhada
O teu jogo tão mal jogado
Logo, demostra que nunca
Jogaste nada, nem uma rede,
Nem um anzol com isca na água
Da lagoa da complexidade do ser
Na realidade dos vivos e das mágoas
Para ter uma peixe assado à brasa
Como podes ser pescador? 
Se tu tens medo das águas?
Dos rios, riachos, marés e sete poças
No meio do caminho das moças
Para afogar nas águas as tuas mágoas
Qual é o problema?
Ser totalmente sem ter?
Não sabes pensar
Não sabes pescar
Não sabes lutar
Não sabes nadar
Não sabes tentar
Não sabes cantar
Não sabes remar
Na verdade,
Não sabes ser
E não sabes ter
Não sabes de nada
À ser mister
Não sabes falar
E nem sabes
tão pouco cortejar
Para pescar
Aquela moça
Que não soubeste
Com palavras amar
O teu ter mata o teu ser
O teu ter é a tua carne fria
A tua alma sofre de melancolia
Que viras o barco angustiado
Indeciso com agonia
Aquilo que teu ser
não poderá viver mais um dia...
Por causa do teu materialismo
Descabível, egocêntrico, egoísmo
Não force o amor com teu ter
Se não tens fluidez de cortejá-la
Com tua real fineza
De um bom cavalheiro ser
Porque o ter sem o ser pode
cair numa tragédia de poder
O amor é rosa espontânea
Que nasce no coração do ser
E não um espinho que fura
A garganta da alma do ser
Para ter o que não se pode ter
Estás amargo para o amor
Já não tens mais o calor
Como podes matar
Dentro de ti a árvore do amor,
Quando essa está cheia
De frutos ainda verdes?
Isso para mim,
É um crime inafiançável
E para o poeta, pecado mortal
Já não tens mais o ser e nem a alma
Como raios de sol para nascer
A tua obsessão pelo ter da razão,
É o teu mal consumismo!

Morrerás de sede perante o mar
Como um peixe nu e cru sem ar
Depois, "salgado" e "assando"
No dia da "fogueira" dos maias
O ter transformou-se em nada
Na beira da praia dos azagaias

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s