Às Lágrimas por Mauria

IN MEMORY / FLORES DE ACÁCIAS

Hoje recebi uma triste notícia e meus olhos não retiveram às lágrimas pelo falecimento de Mauria, vítima de Covid-19. Mauria, era mulher negra, simples, empreendedora e cheia de meiguice e carinho.

Mauria saía todos os dias ao pôr do sol andando rua à rua com um boné azul-anil na cabeça, vestida de uma bata alviiiiiiiinha… da cor de uma nuvem branca no céu e com suas caixas de isopor asseadas nas mãos.

Tenho lembrança que, às vezes, ela até ia acompanhada com seu sobrinho pequenino, batendo nas portas das fábricas vendendo suas cocadas, tapiocas, salgados, café e chá para faturar um dinheirinho para levar o pão, o sustento de sua casa.

Mauria, segundo fontes, era separada de seu marido, deixou duas filhas lindas e provavelmente também netos.

Entretanto, Mauria é símbolo da mulher afro-brasileira guerreira e trabalhadora. E seu testemunho presente no seio da sociedade das leis e dos homens, estará sempre vivo em nossas memórias como exemplo de honestidade, valor e fervor de resistência e luta feminina.

Na realidade sua matéria se foi, mas não a sua essência de espírito meigo, que ficou entre nós igual as flores das acácias infinitas perfumando o jardim das Deusas e dos Anjos.

É verdade que, a morte de Mauria, não viralizou nas notícias de jornais, rádio e TV, nem saiu nas redes sociais, nem tão pouco nas famosas colunas sociais. Porque Mauria era da classe periférica tornando-se agora apenas mais uma nos números na estatística das falecidas pela pandemia brutal, mas também, sendo vítima do Sistema cruel da nata hipócrita da “política” dominante desse país.

Por outro lado, sua morte provocou-me empatia, palavra que deriva do grego (EMPÁTHEIA) de reflexão e de escrita à sua realidade a qual vivia e estava inserida nela, mas desassistidas da semiótica de políticas públicas.

Portanto, na [Sociologia] a Compreensão do “Eu” social apresenta-se a partir de três recursos: enxergar-se de acordo com a opinião de outra pessoa; enxergar os outros de acordo com a opinião de outra pessoa; enxergar os outros com a opinião deles próprios.

Neste caso, penso que a empatia é uma prática de compaixão, que deve ser sempre rebuscada e trabalhada nas esferas sociais. De acordo com o sociólogo e professor, Roberto Peixoto, a empatia é um conceito precioso, principalmente dentro de um mundo cada vez mais volátil.

Para o sociólogo, trata-se de um processo de imersão na perspectiva do outro, fundamental para vivermos em uma sociedade coletivamente. É colocar-se no lugar do outro, sem julgamento, para compreender diferentes situações e visões de mundo.

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