Os Pince-nez da Rio Branco

Estive no centro da cidade pela manhã. Passando ali na avenida Rio Branco, numa das avenidas mais chics de Caruaru nos tempos de outrora, algo me chamou atenção: a variedade de óticas que nesta avenida existem.

Mas, isso não me surpreendeu tanto quanto a abordagem de vendedores e vendedoras dessas óticas num desespero de estado quase frenético querendo vender os óculos de grau ou óculos de sol.

Parecia que estavam vendendo croissants ou outros produtos quaisquer que fossem perecíveis.

Só uma coisa me deixou intrigado: como é possível tamanha histeria comercial para vender algo que tem a finalidade de corrigir uma deficiência visual? Um ítem relacionado à saúde é oferecido tal qual à banana em feira livre.

Faço essa indagação porque uso óculos desde os sete anos de idade, por causa de uma problema sério de – astigmatismo – que é uma imperfeição na curvatura do olho e os sintomas podem incluir sensibilidade à luz, visão embaçada, astenopia, visão distorcida e dores de cabeça; e nem vamos entrar aqui em detalhes com outros problemas de oftalmologia, entre eles, o glaucoma e a miopia.

É interessante como o mercado se apropria desses acessórios oftalmológicos negociando estilo, estética e moda que influenciam a sociedade o aspirar pelo belo ou por uma beleza facial exorbitante, através de uma armação da mais dourada démodé até a armação de resina chic das alienações, transformando óculos em uma necessidade cega para o público como um bem de consumo exagerado que todas pessoas têm que usar para estar num padrão estiloso de classe e manter as lojas de óculos no campo da concorrência da alta visão de mercado.

Pois, não sabem eles ou elas, que não é confortável usar óculos. Dói e fere atrás das orelhas aonde afixacionam as pernas do óculos, dói e fere também o nariz como ponto de apoio frontal por causa das lentes grossas e pesadas deixando marcas horríveis na face e você fica cada vez mais cansado e mais velho com o “pince-nez” estampado no rosto. Outras pessoas, até se acostumar, dar enjoos, tonturas e dores de cabeça.

Neste aspecto, é preciso refletimos um pouco mais sobre essas questões, tão sutis que às vezes passam desapercebidas entre nós, mas que são predatórias no jogo escuso do capitalismo selvagem, que faz de certas necessidades e dos acessórios de saúde sua mola para ganhar fortunas.

Entretanto sem nenhum pudor ou princípio ético e como a receita do oftalmologista é um dos critérios principais da saúde visual, então, para estes que fazem a propaganda e vendem, a receita do óculos não passa apenas de um cheque em branco disputado pelas óticas, quando se fala em vender ou comprar um óculos.

Mas, como cantava o grande Raul: “Quem não tem colírio usa óculos escuros…”

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