Já fui o desejo ingênuo

Já fui o desejo ingênuo do adolescente inconsequente.
Da linda flor menina, morena e pernambucana
Quando ela ainda tinha seus quatorze anos de idade quente...
Num dia eterno de inverno paulista, 
Com um barbudo mecânico baiano
De trinta e cinco anos de idade.
Um homem que ao olhar, engano.
Parecia até atraente mente, mas era verdadeiramente insano...
Ali, eu já era concepção sexy antecipada,
O ato sublime da ebulição efervescente;
De dois corpos hormonais unindo-se intimamente em uma relação sexual que transcendia...
Um gozo cuspe de espermatozóide
Que veio da plenitude das esferas testicular...
Sêmen querendo terra fértil,
Para germinar um lar!
Na boca carnuda da mocinha nua
No triângulo feminino da bermuda.
Já fui logo o início no seu colo do útero.
E, no seu ovário, o feto por nove meses gerado...
Já fui ao nascer, as dores de parto da parturiente...
Já fui a escolha de duas vogais e de duas consoantes que tornaram-se síbalas.
Depois a palavra formada.
A dissílaba da vida entre o bem e o mal.
Um nome composto por duas sílabas dada e uma consoante muda.
Palavra por uns amada...
Palavra por outros, amarga na boca falada.
Já fui o desafeto sem afeto materno.
Ignorado por ela, rainha das decepções amorosas...
Pela a minha mestiça semelhança paterna...
Filho de mãe solteira, pobre e rejeitado
Que não quis cair na mesma cilada "fortuita"
Da sina miserável do menino pobrezinho desprezado...
Mas valorizando a primeira palavra ao ser humano dado,
Tornando-se ele mesmo ela sem censura chamado.
O meu substantivo próprio.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s